terça-feira, 22 de setembro de 2009

Andar a pé eu vou

Robert Linder/Stock.xchng
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Hoje, 22 de setembro, é o Dia Mundial sem Carro. A data é o ponto alto de uma semana toda dedicada à reflexão - e combate - do uso exagerado dos veículos em áreas urbanas. Causa mais do que necessária não só à sanidade mental de quem mora em grandes centros, como à nossa própria sobrevivência enquanto espécie.
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Exagero? Não, de acordo com dados do Movimento Nossa São Paulo. Segundo materiais da ONG baseados em informações do Laboratório de Poluição Atmosféria Ambiental da USP, a poluição da cidade tira dois anos da expectativa de vida média de cada paulistano. E não adianta achar que somos todos reféns das chaminés das fábricas. Há muito tempo são os veículos os maiores poluidores paulistas - a má qualidade do combustível usado neles é responsável por cerca de 3 mil mortes anuais na cidade. O número de partículas de enxofre por milhão (ppm) aceitável pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) é de 50. O combustível vendido atualmente nas áreas urbanas está na média de 500 ppm e 2000 ppm quando vendido nas estradas.
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Diante desses números, ficará difícil, em pouco tempo, dizer que o transporte coletivo não funciona (o que é verdade em muitos casos), que não se pode abrir mão do conforto e da rapidez de um veículo particular, ou que a cidade não possui ciclovias ou alternativas eficazes aos carros (o que também é verdade). O crescimento da frota de veículos (mais de mil entrando em circulação por dia na cidade) concorre grandemente para antecipar as estatísticas de que SP deve parar - parar, literamente, sem mais possibilidade de locomoção pra lugar nenhum - num prazo entre dez a quinze anos.
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Como contribuir para diminuir o cenário apocalíptico? O mesmo Movimento, durante esse período, publicou uma cartilha com dicas simples (complementadas por algumas outras idéias que coloco também) e que podem ajudar a diminuir a visão do exército de carros atravancando as ruas, cada qual com apenas uma ou duas pessoas:
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- combinar um esquema de caronas com vizinhos ou colegas de trabalho;

- incentivar a empresa a adotar a carona conjunta, ou um sistema de transporte coletivo que tire alguns carros das ruas;

- incentivar as escolas, universidades e centros comerciais a montar esquemas de carona ou adotar bicicletários;

- abdicar da preguiça e optar pela caminhada ou pela bicicleta, caso a proximidade do trabalho permita - ainda que seja apenas por um trecho, complementado pelo transporte público;

- procurar rotas alternativas que possibilitem que o carro fique menos tempo nas ruas;

- buscar alternativas de comércio ou de serviços no próprio bairro, evitando sair com o carro sem necessidade (e, de quebra, incentivando as iniciativas de pequenos empresários ou de empresas familiares também).
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- se estiver em SP, ligar para o Disk Fumaça Preta todas as vezes que vir um veículo operando como arma química em potencial (o site da CETESB também recebe denúncias de veículos que poluem a cidade).
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Nenhuma dessas idéias é nova, porém precisam ser realmente levadas a sério se quisermos estabelecer um mínimo de sustentabilidade dentro das grandes cidades. Outras atitudes, como reivindicar a qualidade das vias alternativas de transporte junto ao poder público, ou educar as crianças a buscar também essas alternativas tanto para ir a compromissos quanto em momentos de lazer, atualmente, passaram do status de opção para o de obrigação.
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É difícil mudar antigos hábitos, mas olhando com atenção, podemos perceber que sempre há coisas na rotina que podem ser adaptadas e melhoradas. E é a mudança e a adaptação aos novos tempos que garantirão nosso bem estar - e nosso direito de sempre respirar fundo.
Mãos à obra, então!
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O problema crônico veicular não é, obviamente, "privilégio" da Grande SP. Veja aqui os movimentos que o Dia sem Carro está originando nas principais cidades do país.
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Mais dados sobre o karma motorizado no estado de SP estão aqui.

3 comentários:

Paula R. disse...

Para quem quiser se informar sobre transporte coletivo em SP, consultar o site da SP Trans (www.sptrans.com.br) ou ligar para a Central de Informações no número 156. ;-)

Parabéns pela iniciativa, Ju!

Bjão.

Cláudia Mello disse...

JuJu

Eu faço este movimento todo dia! Desde que vendi meu carro, no começo de 2005...rs Sinceramente, não sei se quero comprar outro. O fato de morar na segunda menor cidade do Brasil é bastante confortável, dá para andar a pé o tempo todo, apesar das distância maiores (da minha casa até a casa dos meus pais são uns 5 quilômetros).

Gostaria que a cidade não tivesse tantos morros, então eu poderia arrumar uma bicicleta ou um triciclo (adoro!)charmoso e espaçoso para guardar bolsa e outras coisas que se queira carregar. Uma amiga que mora na Bahia tem um...se diverte muuuuiiito!

beijo

Lili disse...

Eu tbém vendi meu carro em 2005 e, sinceramente, não me animo a comprar outro. Mesmo agora, de mudança para o outro lado da cidade.
Como o transporte público de lá (Limão) para cá (Vila Mariana)é uma lástima e o congestionamento é de chorar (são só 2h30 para ir e 2h30 para voltar - se não chover), penso na moto como solução. Temporária, claro.
Porque solução mesmo é morar perto do trabalho e ir à pé! Melhor pra mim, para o trânsito e para o meio ambiente!
Um dia consigo essa vida de volta! =)