quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Você pode comer? Então, passe na pele

Imagem: IzaS/Stock.xchng
Não, o título desse post não é uma alusão a "9 e 1/2 semanas de amor". :)

Nos meus estudos e xeretices sobre tratamentos alternativos, a professora Raquel surgiu com um conceito interessante, tirado da medicina ayurveda: "nunca passe na pele algo que você não possa comer". A idéia justifica o fato de a massagem ayruvédica, por exemplo, ser feita somente com óleos vegetais (que podem ser usados também na cozinha) e, no máximo, óleos essenciais com procedência mais do que certificada (mas esses convém não ingerir, please, sob pena de entrarmos em um tema pra lá de controverso nos campos da aromaterapia).

Mas voltando aos óleos e cremes, tanto a ayurveda como os aromaterapeutas concordam num ponto: óleos de procedência vegetal são infinitamente mais saudáveis e apropriados ao uso humano do que os de origem mineral - que, paradoxalmente, são matéria-prima da maioria dos cremes industrializados destinados a tratamentos de pele, e até de óleos para bebê! Embora um pouco mais difíceis de achar, o ideal é que se use sempre cremes de base vegetal - mais eficazes e amigáveis ao corpo por não obstruir os poros, deixando a pele respirar e facilitando a absorção do princípio ativo do produto. E, de quebra, muito mais gentis com o planeta também.

Lembrei dessa prosa toda ao ler uma matéria bem interessante publicada pela Revista Fator em julho último, comprovando a tese. Confiram alguns trechos... e comecem a reparar nas letras miúdas do creme que está no criado-mudo. :)

11/07/2009

Cosméticos com óleos vegetais: cuidado com a pele e respeito ao meio ambiente

A indústria cosmética acaba de engajar-se em mais uma importante iniciativa que promete excelentes resultados estéticos e cuidados especiais com o meio ambiente: a utilização de óleos vegetais em substituição aos de origem mineral. Juntamente com princípios ativos extraídos de fontes naturais e renováveis, os óleos e manteigas vegetais caracterizam a nova tendência de cosméticos ecologicamente corretos.

De acordo com a diretora de treinamentos da Buona Vita Cosméticos, a técnica em estética Isabel Luiza Piatti, o óleo mineral pode causar danos à pele, como o tamponamento dos poros que desencadeia ações comedogênica e acneica. Também obstrui as glândulas de excreção da pele, favorecendo disfunções da camada ácida do tecido. Derivadas do petróleo, estas substâncias repelem a água e impedem a absorção de outros ativos de base hídrica.

“Em contrapartida, por sua semelhança estrutural ao manto hidro lipídico da pele, os óleos vegetais reagem melhor com o tecido e permitem que tanto a água, como outros princípios ativos existentes nos cosméticos aplicados sejam bem absorvidos”, explica Isabel.

Extraídos principalmente das sementes de plantas e frutas, os óleos vegetais aumentam a proteção da pele contra a perda excessiva de líquidos, permitem a respiração cutânea e assimilam a luz solar. Também auxiliam o restabelecimento de peles rachadas e ressecadas, normalizando e reforçando a estrutura do tecido. Ao contrário dos óleos minerais, os de origem vegetal causam menos reações citotóxicas e alérgicas. Finalmente, possuem outra característica também muito importante: são biodegradáveis, não poluem e nem agridem o meio ambiente.
Para a técnica, os cosméticos à base de óleos vegetais representam grande avanço da indústria estética. “Nosso principal objetivo, agora, é conscientizar o público – tanto clientes finais como também profissionais de estética – sobre a importância de eliminar, definitivamente, o uso de cosméticos com óleos minerais e parafina. O consumidor não apenas pode, mas deve exigir sempre o melhor”.

Óleos vegetais são mesmo biodegradáveis? - A resposta a esta pergunta é sim. Todos os óleos vegetais são biodegradáveis e podem levar até 28 dias para se decompor, sem agredir a natureza, conforme afirma o diretor técnico e industrial da Polytechno Indústrias Químicas, o engenheiro químico Joãosinho Angelo Di Domenico.

Mas então, por que o óleo de cozinha, por exemplo, não pode ser descartado no meio ambiente sem cuidados específicos? Segundo o engenheiro, o problema é o grande volume de óleo lançado diariamente nos ralos e tubulações. Durante o período necessário para o material se biodegradar, outros resíduos acabam se aglutinando ao óleo e prejudicando o meio ambiente. Quando chega aos rios ou mar, o óleo vegetal forma um filme na superfície e prejudica a oxigenação da água, comprometendo sua qualidade e a sobrevivência dos peixes e outros seres.

Os óleos presentes nos cosméticos, por sua vez, são lançados em quantidade muito pequena que não oferece riscos ao meio ambiente. “Quando aplicado na pele, grande parte do óleo é absorvida pelo tecido e processada pelas enzimas”, complementa Di Domenico.

É importante destacar, também, que algumas características distinguem os óleos vegetais entre si, de acordo com sua finalidade. E o engenheiro químico explica: “embora sejam quimicamente iguais, os processos de extração e refino dos óleos destinados aos cosméticos preservam elementos naturais da matéria-prima como vitaminas, fosfolipídios, antioxidantes, antiinflamatórios, entre outros”.

Tais substâncias favorecem a bioatividade da pele, hidratando o tecido, combatendo os radicais livres (causadores do envelhecimento cutâneo), ativando a regeneração celular e formando novas fibras de colágeno.

Para Isabel Luiza Piatti, a relação entre meio ambiente, beleza e bem-estar foi muito bem percebida pela indústria cosmética. “Os cosméticos ecologicamente corretos que respeitam a biodiversidade, com óleos vegetais e ativos orgânicos, representam o comportamento dos consumidores conscientes que, além de valorizar a questão estética, estão atentos às necessidades da natureza”, conclui.

Confira aqui a íntegra da matéria, que também traz a descrição e principais usos de alguns óleos essenciais.

2 comentários:

Raquel Frota disse...

Pois é, e além disso óleos minerais "entopem" os nossos poros.
Adorei a iniciativa, os textos estão bem legais.
Beijos

Lucas Puntel Carrasco disse...
Este comentário foi removido pelo autor.